First Quest: A semente do RPG no Brasil


altApesar de já existir há mais de duas décadas nos EUA, o RPG começou no Brasil (como um mercado efetivamente) no começo dos anos 90, com a licença da Abril Jovem sobre o primeiro e mais popular RPG do mundo, Dungeons & Dragons, mais precisamente a segunda edição de AD&D.

Antes da entrada da gigante de comunicação o RPG no Brasil era algo realmente obscuro. A "geração xerox" ensinou os primeiros adeptos ao hobby ainda na década de 80, mas até então o RPG nunca havia saído das casas de poucos e seletos jogadores. O módulo para iniciantes "First Quest: Primeira Missão", que era um kit belíssimo com resumo de regras e aventuras iniciais, e um CD de áudio muito didático, serviria como base para a invasão deste novo jogo ao Brasil.

Em seguida veio o cenário "Karameikos", e os Livros básicos (Jogador, Mestre, Monstros). A editora não mediu esforços na distribuição do jogo, deixando-o disponível em bancas de jornais e grandes redes de livrarias, assim com a versão nacional da revista Dragon, que serviria de apoio aos jogadores. O jogo foi divulgado amplamente e muito investimento foi feito para traze-lo às massas. Lembro de ter comprado meu primeiro Livro dos Monstros em uma banca de jornais na cidade de Ubatuba, litoral paulista, provando que a distribuição do produto realmente foi eficiente.

Mas, de repente, a lua de mel com o RPG terminou - e de forma bruta. A Abril anunciou que estava abandonando a linha de produtos de RPG alegando prejuízos pelo baixo número de vendas iniciais, novos lançamentos que já haviam sido anunciados foram cancelados imediatamente.

O resto da história nós conhecemos muito bem, os "poucos adeptos" do estranho jogo  acabariam dependentes de uma empresa muito menor que a Abril, que se responsabilizou pela tradução, divulgação e distribuição das "brands" mais populares de RPG, como "Dungeons & Dragons", "GURPS" e o ainda engatinhando sistema Storyteller, com o grande sucesso "Vampiro: a Máscara". O nome desta empresa é Devir e até hoje detém os direitos sobre estas franquias no Brasil.

Faço este resumo acima para debater com você, amigo leitor, o impacto que este investimento agressivo da Abril no início dos anos 90 teve no RPG brasileiro atual, o que teria acontecido se a abordagem da empresa fosse diferente, ou até mesmo indagar se RPG é mesmo algo vendável em larga escala no Brasil.

Meu ponto de vista é que "First Quest" semeou o RPG no Brasil e foi o produto de RPG mais bem acabado já feito no país. Muitos jogadores veteranos que conheço tiveram contato com RPG através de publicações da Abril, eu particularmente já conhecia o hobby de maneira mais casual, somente após a já citada compra de um Livro dos Monstros em uma banca de jornais, que levei o RPG a sério e não parei até hoje.

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