Imaginação, Literatura e RPG!
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- Lina Pascon
- Saturday, 28 February 2009 02:13
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Quando somos crianças, temos liberdade para imaginar e sonhar à vontade. Como adultos as pressões profissionais, a obrigação das conquistas, o convívio com rotina e burocracia nos restringe. Imaginar se torna um exercício curto e muitas vezes sem impacto algum.
Por isso acredito que no RPG podemos retomar esta liberdade, em um ambiente divertido. A área de escape para o estresse do dia-a-dia, uma ótima desculpa para encontrar amigos, além de criar cenários e personagens fantásticos.
A imaginação na vida do ser humano começa cedo, nas histórias de conto de fadas para dormir, nos teatrinhos com os primos na casa dos avós, nos primeiros livros como o “João e o Pé de Feijão”, nos desenhos animados como a “Caverna do Dragão”, nos filmes como “História sem fim”.
Na pré-adolescência passamos a querer fazer parte, a socializar e começam a surgir as brincadeiras de prédio. Quem não pensou em construir uma nave espacial com um controle remoto quebrado, um rádio e a caixa de ferramentas do pai? Ou quem não foi uma das Tartarugas Ninja? Eu era sempre o Michelangelo...Ou ainda quem nunca acampou numa barraquinha de pano no próprio quarto, com direito a lanterna, falar baixinho e morrer de medo dos monstros que habitam a “floresta”? Da casinha de bonecas ao Castelo do He Man, quanta imaginação e momentos inesquecíveis vivemos?
Como em tudo na vida, a imaginação passa pela “Idade das Trevas”: a adolescência, onde é negado tudo o que foi vivido na infância.
A partir daí, quanto mais velhos ficamos mais direcionamos nossos pensamentos para conquistas materiais, sem nos dar conta de que existem muitas coisas que podemos aproveitar como a leitura e o RPG.
Literatura: o que seria de mim sem você? Sim você porque pra mim chega a ser uma “entidade”, rsrs...O que mais adoro na leitura é poder imaginar coisas que escritores criaram e que eu nunca teria imaginado sozinha. O livro “O Mundo de Sofia” trata de uma maneira espetacular a eternidade dos personagens e o efeito que eles causam em nós meros mortais.
Ler, ler e ler. Quanto mais leio, mais quero saber, sonhar e escrever. Apesar de cada vez mais ser crítica com meus textos, não posso e nem devo me privar de imaginar e estimular as pessoas que, como eu, valorizam a criação seja ela qual for.
Como nas brincadeiras de criança, existem momentos que as pessoas desejam fazer parte da história e é neste momento que entra o RPG. Quando se lê muito, você fica como as velhas de assistem novela brigando sozinhas com a TV. Quanto chorei quando Dumbledore morreu no “Enigma do Príncipe”, eu não queria acreditar e não tinha o poder de fazer nada. O RPG nos dá o poder de imaginar, de fazer parte de uma história e principalmente de dividir com amigos momentos de criatividade e diversão.
Jogar RPG nos dá a possibilidade de vivenciar situações inesperadas, de improvisar, de agir com espontaneidade, de ser um personagem totalmente diferente do que somos, de realizar feitos totalmente fora do comum.
Além do estreitamento dos laços de amizade, o RPG nos possibilita participar de histórias ricas, sem uma linha óbvia. Sempre um grupo traz para a mesa a imperfeição/ humanidade que precisa existir, a discórdia, as atitudes, o debate, o tempero, os poderes, as soluções, a curiosidade, o seguir em frente ou “vamos fugir, amo demais meu personagem”, o objetivo, o enredo, a diversão.
O RPG influência e nos dá tanto prazer, que criamos blogs, wikis das campanhas, o RPG Planet (é claro), conversamos por e-mail, por telefone, por MSN, jantamos dando risada do que aconteceu na aventura passada.
Criamos piadinhas internas que só RPGistas entendem, do tipo “Faz um teste de Carisma para ver se chega na fulana”, ou “Rolei um 20 hoje no trabalho”, ou “Tomei um stun do meu chefe”.
Pra finalizar deixo meus profundos agradecimentos a Jostein Gaarder, J. K. Rowling, C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman e Tracy e Laura Hickman pelas obras que me fizeram rir e chorar.
E as suas criações: Sofia - desejo que minha filha leve este nome, Hermione Granger que me inspira em 99,9% das minhas bruxas em RPG, Lucy, das “Crônicas de Narnia” e sua pureza, Gandalf, meu mago favorito, Morfeus com seus mistérios, Strahd por me aterrorizar em Barovia.


