8 dicas para aventuras de Terror!


Entrando no clima do Halloween, que tal algumas dicas para deixar suas histórias um pouco mais macabaras?

Estou atualmente narrando uma campanha de Ravenloft com os meus queridos amigos Casal 10 e minha amada imortal esposa. Estou usando o D&D 3.5 e a campanha “Expedition to Castle Ravenloft“, mas pretendo expandir para uma campanha maior, por que adoro assustar as pessoas e me assustar também.

No último sábado jogamos uma sessão que posso me orgulhar, todos os jogadores estiveram na beirada das cadeiras, atentos para todo detalhe..um sonho molhado para qualquer GM. Portanto me sinto na obrigação de compartilhar algumas dicas para fazer com que uma campanha ou aventura de horror realmente assuste.


Dica #1 - Escolha os jogadores com cuidado.

Na falta de pessoas dispostas a jogarem, acabamos por vezes aceitando pessoas não muito maduras ou completos joselitos para participarem das campanhas. Não faça isso! Se você quiser muito jogar, mas está cercado deste tipo de jogador, escolha um outro tema para abordar em sua aventura, por que o clima de Horror é muito delicado e complexo para se manter, e se os jogadores não ajudarem, você dança. O número de pessoas jogando também é importante…não deixe passar de 4 jogadores, no máximo 5, uma mesa lotada pode arruinar a experiência com conversas paralelas.

 

Dica #2 -  Não exagere na climatização.

Velas e/ou tochas espalhadas pela sala e cercando a mesa de jogo dão um clima de suspense muito legal, mas você deve se preparar e arrumar tudo com certa antecedência, mas nunca é bom exagerar, ou você vai perceber que deu muito trabalho por nada. Em termos de climatização quanto mais adereços, pior. Você terá que dividir a atenção dos jogadores que irão querer explorar as coisas que você montou, mas irão se desprender da aventura. Claro que isso pode depender da Dica #1, se você sentir que seus jogadores irão gostar do clima sem ficar constantemente brincando com as velas e ameaçando de derreter suas preciosas miniaturas nas chamas, ok, cada um conhece o grupo de jogadores que tem.

 

Dica #3 -  Mude algumas coisas de lugar

Se sua casa é onde você recebe os amigos para jogar, você já deve ter reparado que as pessoas tendem a escolher as mesmas cadeiras e sentam-se nas mesmas posições. Usam os mesmos lápis, dados, enfim…Isso é a chamada “zona de conforto”. Leves mudanças nesta zona de conforto são legais para dar um clima de que há algo estranho acontecendo. Na última sessão de Ravenloft, posicionei a mesa de uma maneira um pouco diferente, forçando uma das jogadoras (desculpe amor!) a jogar de costas para 2 portas entreabertas e escuras. Isto ajuda muito e é quase imperceptível a sua intenção de assustar. Mudar quadros de lugar, reposicionar espelhos e enfeites da sala também são uma boa pedida, só não se esqueça de arrumar tudo depois…esposas, mães, namoradas costumam não gostar muito da bagunça “pós-jogo”.

 

Dica #4 -  Trilha sonora!

Trilhas sonoras ajudam MUITO, mas cuidado para não se transformar em um DJ, o jogo é sempre mais importante e é preferível que você narre com qualidade e sem música, do que narrar preocupado em trocar constantemente de faixas de MP3 ou rádio.
Uma experiência bacana que fiz foi certa vez que posicionei as caixas de som do rádio debaixo da mesa, e usei um CD de áudio com trilha sonoras, efeitos de gritos, portas rangendo, passos, batimentos de coração entre outras centenas de efeitos.

Para aqueles que usam laptops a mesa de jogo, recomendo (apesar de não saber usar muito bem), o RPG Audio Mixer,  onde você pode programar seus efeitos sonoros e mixar trilhas de efeitos sonoros com músicas de fundo.

É importante também lembrar qual é a ambientação mais apropriada para cada aventura, segue uma lista de músicas para cada tipo de aventura de Horror:

 

Horror Gótico e/ou Horror na Idade Média

Don’t Turn Around - Roberto Kawata

Esta é a trilha que estou usando atualmente na campanha de Ravenloft, o ela é simplesmente perfeita para dar uma clima de mistério e suspense. O mais legal é que entrei em contato com o autor da música e ele me enviou o MP3 em alta qualidade. Expliquei para ele como usaria a música dele em uma sessão de Ravenloft, não sei se ele entendeu direito mas ele foi muito prestativo e atencioso mesmo assim. Vocês podem conferir minha conversa em inglês com ele nos comentários do vídeo dele no Youtube (link acima).

Histórias de Fantasma

Pan’s Labyrith Lullaby ou Nine Inch Nails “Ghost”

Se você quer pegar pesado com uma história de fantasmas de criancinhas, a trilha sonora de “O labirinto do Fauno” é excencial!Agora se você quer algo modernoso, para cenários mais atuais, o Nine Inch Nails lançou um CD chamado “Ghosts”, que é bem assustador e bonito ao mesmo tempo!

Horror Moderno e/ou História de infestação de Zumbis

Trilha Sonora de Resident Evil 3

Se você é um Zumbi-maníaco como eu, irá adorar mestrar uma aventura de infestação de Zumbis com essa música na trilha! Ela também é muito boa para uma típica sessão de Vampiro.

Dica #5 -  Não mostre o Monstro! (Se tiver que mostrar, faça com classe

Sempre que assisto a um filme de terror, a coisa que mais me assusta é minha própria imaginação, mas toda a tensão se vai quando decidem que é hora de mostrar o monstro…e o filme morre pra mim dali em diante. No RPG é praticamente inevitável mostrar o monstro, pelo simples fato de que os jogadores devem ter ao menos uma chance de vencer, de virarem heróis, por mais remota que seja esta possibilidade. Mas tente atrasar este momento ao máximo e faça com que o monstro seja algo misterioso…Ninguém sabe ao certo descrevê-lo, ou ninguém sobreviveu para contar história. Deixe alguns rastros, mas seja sutil, deixe a imaginação de seus amigos os torturarem ao máximo. No Grand-finale, quando tiver que inevitavelmente mostrar o monstro, tente descrevelo com precisão, mas seja breve, e dê preferência por monstros legais, rápidos e que se escondem nas sombras…pelo menos este é o meu tipo favorito.

 

Dica #6 -  Detalhes!

Esta é a dica mais importante! Tanto em RPGs de terror quanto em filmes e livros, a ambientação é muitas vezes mais assustador que o próprio monstro/demônio/alien/vampiro no qual os jogadores devem se confrontar. Narre os arredores dos jogadores com precisão e dê detalhes de cheiros, o que eles sentem no ar, como é a textura do chão, se está frio ou quente, quanto eles conseguem enxergar. Tente gastar um tempinho decorando nomes de árvores, pássaros e tipos de vegetação e inclua aos poucos na aventura… Descreva com calma e com uma voz suave, e diga aos jogadores não somente onde eles estão, mas o que sentem ao entrar em seu cenário de terror. Assista alguns clássicos de terror como “O Iluminado”, “Halloween”, “O Silêncio dos Inocentes”, entre outro, e não tenha medo de usar 1 ou 2 clichês…só não exagere em clichês muito conhecidos. É importante lembrar que não é necessário ser tão detalhista em cenas menos importantes, ou você ficará exausto muito rápido, mas se você sentir que as pessoas estão ficando cada vez mais tensas com a situação, aí é a hora de caprichar de vez!

Exemplo de narração detalhada (fale com uma voz sauve) :”A lua se esconde por detrás de espessas nuvens, um forte vento sopra do final da trilha assoviando desafinado e fazendo os pinheiros à sua volta balançarem lentamente, a luz da sua tocha luta contra a escuridão, e as sombras a sua volta parecem dançar”.

Acelere a voz e aumente o volume (não grite) “Você sente um calafrio na espinha quando subitamente uma mão gélida lhe toca o ombro”.

 

Dica #7 -  Tenha uma carta na manga

É divertido surpreender os jogadores com algo inesperado, andei lendo algumas dicas no site “Secrets of the Kargatane” sobre algumas coisitas legais para assustar os jogadores. É importante sempre variar e nunca usar o mesmo truque 2 vezes com o mesmo grupo de pessoas, mas a combinação de uma boa narração com um truque simples é uma combinação aterrorizante.

Vou dar um exemplo do que fiz na última sessão de Ravenloft: Narrei muito detalhadamente o cemitério e os arredores de onde os personagens estavam, os jogadores foram aos poucos ficando tensos. Eles tinham que cavar uma cova em busca de uma artefato enterrado…Desenterraram um cadáver e eu continei narrando com bastante detalhe, a tensão aumentou com medo do cadáver ser um vampiro/zumbi ou qualquer monstro. Quando o Paladino do grupo leu as palavras mágicas necessárias para abrir a tampa de pedra que revelaria o item escondido, derrubei 2 livros pesados que estavam em meu colo, fazendo um barulho alto e fazendo tremer um pouco o chão, os três jogadores deram um pulo de susto! Foi uma grande satisfação..até eu (narrador)  me assustei!

Não vou dar outros exemplos de cartas na manga aqui, até por que meu grupo de Ravenloft costuma ler o blog…e não quero estragar as próximas suspresas, mas com um pouco de criatividade você pode inovar, ou usar o exemplo dos livros pesados caindo no chão, que é infalível se o grupo já estiver tenso.

 

Dica #8 -  Se tudo falhar, ao menos deixe os jogadores com nojo.

Essa dica eu ouvi no episódio 3 do podcast da Wizards no halloween de 2006, na época do lançamento de Expedition to Castle Ravenloft. Alías foi de lá que peguei a dica de derrubar os livros na hora do suspense rsrsrs. Parece que esta dica veio de uma frase dita pelo gênio do terror Stephen King…Ele admitiu que nem sempre conseguia prender o leitor no suspense, e quando isto ocorria ele apelava para detalhes sórdidos para ao menos deixar o estômago do leitor um pouco enjoado. Não é minha tática favorita…mas funcionou em filmes como “Jogos Mortais”.

Por fim, uma dica que não vou enumerar, mas que é muito importante: não crie expectativas!

Existem dias em que, por mais que você tente, o clima de horror simplesmente não floresce. Isto se deve a tantos fatores diferentes e que não estão ao seu controle que não vale a pena ficar se lamentando caso sua grande aventura de horror se transformar em um encontro de amigos com pizza e casuais zumbis engraçados.

Haverá sempre uma nova chance para o terror..e da mesma maneira que um bom jogo de terror pode acabar virando apenas uma sessão de piadas e campeonato de arrotos, as vezes o contrário acontece, e aquela reunião de amigos na mesa da cozinha se torna um vibrante e aterrorizante conto de horror!

Bons sustos!

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